Agricultura - 02/08/2013

Prejuízo causado por nova lagarta da soja alerta para cuidados nas lavouras do Sul

Helicoverpa armigera provocou perdas estimadas em R$ 2 bilhões na Bahia na safra passada



O estrago que a helicoverpa armigera causou nas lavouras de soja e algodão da Bahia na safra 2012/2013 começa a mudar os hábitos dos agricultores no país. A lagarta, até então desconhecida no Brasil, chegou a se espalhar por outras regiões produtoras de soja, entre as quais o Rio Grande do Sul.

O registro de casos no Estado, apesar de em menor intensidade do que no território baiano, gera preocupação. Especialistas, porém, garantem que um bom trabalho de monitoramento ajuda a evitar perdas. A prática é simples, válida para todas culturas e deveria ser corriqueira na lavoura.

— O produtor deixou de fazer o monitoramento. Essa é a principal falha do manejo da soja e dificulta o trabalho dos pesquisadores — diz Adeney Bueno, pesquisador da Embrapa Soja.

A recomendação é acompanhar de perto e com atenção a lavoura, com o auxílio de um agrônomo, normalmente uma vez por semana. Além da helicoverpa armigera, muitas outras pragas são registradas nas plantações, mas nem todas provocam danos econômicos.

O susto com a nova lagarta acelerou a liberação pelo governo de agrotóxicos específicos para o combate da praga, mas a aplicação sem critério é outro erro comum. O excesso de produtos químicos, muitas vezes, pode até tornar a área mais propícia ao aparecimento de pragas, devido ao desequilíbrio ambiental.

— Toda aplicação preventiva de inseticida é errada. Não se previne as pragas, você as monitora — alerta Bueno.

Lançada recentemente no Estado, com foco nas plantações de milho, uma alternativa para reduzir o uso de químicos é o controle biológico por meio de vespas (veja abaixo). – Grandes produtores também estão ficando preocupados com o excesso de químicos. A técnica pode ser usada em todas as lavouras que têm lagartas – garante Ivan Cruz, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.

Como o Brasil vive risco constante de “invasões” o trabalho de monitoramento do produtor é ainda o mais importante, principalmente pela ampla fronteira terrestre e o grande volume de intercâmbio comercial.
– Praticamente não existe defesa agropecuária nos países que fazem fronteira com o Brasil. No Sul, o contrabando de produtos do Uruguai e da Argentina são nossas preocupações. O Rio Grande do Sul tem condições ideais para desenvolver qualquer praga – explica o gerente técnico da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Luiz Carlos Ribeiro. 


Segundo a Sociedade Brasileira de Defesa Agropecuária (SBDA), mais de 150 pragas exóticas têm alguma possibilidade de chegar ao Brasil, sendo que 10 delas com maior probabilidade de atingir nossas lavouras nos próximos anos.

Conheça algumas pragas monitoradas com chance de chegar ao Brasil:

Pulgão da Soja

— Registrada na China e nos Estados Unidos, é capaz de reduzir em até 50% a produção de soja. A Região Sul, pelo clima quente e úmido no verão, poderia ser a mais afetada no Brasil.

Necrose letal do milho

— Variante agressiva da necrose letal do milho, apareceu no Quênia em 2012, dizimando as plantações daquele país.


Striga

— São plantas parasitas que ligam suas raízes nas de outras plantas, como no milho. Produz muitas sementes, facilmente dispersadas pelo vento.



Xanthomonas do arroz

— Bactéria que provoca a podridão do grão. Existem registros de ocorrência na Ásia e na América do Sul.



Ferrugem do Trigo

— 100% do trigo plantado no Brasil têm uma mesma base genética para resistir à ferrugem, o gene Sr31. Em 1999, foi encontrada uma novo tipo de ferrugem, batizada de Ug99, capaz de infectar de forma agressiva e matar plantas de trigo que possuem o Sr31.

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